05 horas despertador tocando, desce pra cozinha, bate aquele rango, tira a garrafa com suco de laranja congelado e coloca na mochila, checa equipamento, ferramentas, peças sobressalentes, grana, I.D., passe, calça o tênis e corre pra pegar o busão às 06 horas conforme combinado.
A gente chegava no piatã com as pernas meio mole ainda depois de 1 hora e pouco de ônibus mas nem se importava. A gente queria era deslizar nas curvas daquele mar de concreto verde com 2 coqueiros fincados no meio da pista. Até hoje nunca ví nenhuma pista semelhante àquela, nem em desenho nem em originalidade. Os construtores aproveitaram o relevo natural do local em várias partes da pista, mas o supra sumo era dropar o ladeirão entrar no Bowl/banks (que não tinha copping) e voar pra fora daquele buraco que lotava de água quando chovia.

(Fonte: http://www.skatecultura.com)
Cada dia passado lá era especial. Fosse o dia em que vc finalmente acertou aquele nose pick no banks, saltou por cima de 9 pneus de mute grab ou o dia que finalmente tomou coragem e dropou o half-pipe (um dos melhores que já tive o prazer de andar)Na verdade transição nunca foi o meu forte, mas como em todas as atividades que me interesso procuro saber de tudo um pouco adorava esses dias no piatã. Era um experiência diferente em um skatepark que não tinha nada de convencional como os de hoje em dia que privilegiam o street skate de campeonato.
Nada de corrimões, hubbas ou savanas. Somente transições, paredes ligadas às transições para insanos wall-rides e os coqueiros. Até hoje, quem teve a oportunidade de andar lá nos tempos do crownd lembra-se dos berros da galera avisando que ia saltar o coqueiro cujo ponto de aterrissagem era exatamento o mesmo que a saída do salto do banks porém em um angulo perpendicular ao mesmo.
Alí naquele cenário espetacular, à beira da praia (que às vezes servia de local de descanso pra galera) vivemos muitos momentos de alegria, evolução, amizade, compartilhamento, dor, perrengues, sede, fome e o escambau, mas o skate falava mais forte sempre e a curtição era garantida mesmo que estivesse chovendo.
Acabado o Boom do skate no final dos anos 80 a pista foi abandonada. Sem infra estrutura de nada (lanchonete, banheiros, segurança etc.) e apesar de alguns bravos guerreiros continuarem a frequentá-la, acabou fechando e deixando os skaters baianos na saudade.
Até hoje guardo em meu coração as memórias daquela pista. O dia em que conheci Max Demian um recém-chegado de Sampa que foi essencial na evolução do street skate baiano e se tornou um grande amigo. O dia em que ficamos eu e Osvaldo até as 23 horas esperando os pais deles buscarem a gente na pista, sem ninguém lá, sem iluminação, passando frio sede e fome na plataforma do half morrendo de medo de assalto. Das cenas ridículas que Alpa proporcionava pra galera tirando a roupa e ficando de sunguinha preta tomando sol na plataforma do half. De Angelo tentando empurrar as paredes do banks com o ombro. Inocentes tocando no sistema de som, Do primitivo quase voltando seu Mc twist. Do quebra pau que rolou no campeonato baiano de 88 ou 89 (memória falha as vezes), John-John pulando um moleque desatento na saída do banks.
Enfim, são muitas lembranças desta espécie de São Bernardo baiano que com certeza serão postadas aqui com a maior riqueza de detalhes que eu conseguir lembrar. Ainda aguardo o Eduardo Yndio postar no youtube o vídeo do Fico/Pepsi que rolou lá....
O Gian postou no blog dele uma matéria sobre este skatepark
http://www.skatecultura.com/2008/03/vdeo-fico-pepsi-skate-festival-1988.html
No Skatecast do Belote vira e mexe alguém fala do piatã, e principalmente dos coqueiros http://dasantigas.podcastbrasil.com/2008/04/podcast-das-antigas/ Tenho partipação em um episódio se alguém quizer conferir.
Agradeço àqueles que têm frequentado e comentado o blog. Aqui e na comunidade Old School do orkut http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1896523&tid=5303447495701804804&na=2&nst=34 Vocês me dão incentivo e inspiração para dar continuidade a este projeto e continuar compartilhando minhas memórias de vários anos de amor ao carrinho.
Aquele Abraço!
Leonardo Lacerda A.K.A Leo Bola A.K.A. Munhra