quarta-feira, 4 de março de 2009

A rEvolução!

Quem me vê passando na rua deve me achar no mínimo uma figura estranha. Gordo, com roupas folgadas e careca, realmente no mínimo uma figura estranha. O que dizer então quando estou com o skate no pé ou embaixo do braço? No passado não foi diferente. Sempre que chegava em algum lugar que não me conheciam, ou nunca tinham me visto andar sempre era vítima de olhares tortos e desconfiança.

Por vezes eu até ouvia as pessoas rindo e falando "o que esse gordo quer com skate?" Eles não sabiam como aquilo me motivava e me fazia canalizar toda minha energia nas pernas com um sincronismo quase científico aplicando as leis do atrito e da ação e reação e como costumamos dizer na minha saudosa terra "descendo a madeira" no POP, lançando meu skate para o ar e transpondo obstáculos que ninguém ou muitos poucos estavam transpondo naquele local.

Tudo tem seu começo e ainda hoje lembro do meu primeiro OLLIE. Foi quando comprei meu primeiro shape com concave. Já tinha visto alguns dando tão manobra mas não conseguia entender de maneira alguma como era esse mecanismo de tirar o skate do chão sem usar as mãos. Até que um dia o Gil Ramos me chamou pra fazer uma session com 2 dos maiores skatistas que conheci na minha vida: César Tché e John-John. Passei o dia inteiro observando os caras andarem e estudando aquele balé até formar a equação.

POP-CHUTA-ENCOLHE!!!

Matada a charada voltei pra casa e fiquei ensaiando sentado na cadeira e sem o skate nos pés. Mal podia esperar o dia seguinte e passar a informação pra os meus amigos. Depois do primeiro Ollie aconteceu uma verdadeira revolução na minha vida. Falo isso de coração aberto e com a certeza de que era algo que eu sabia fazer com maestria e propriedade. Em toda sessão esperava os primeiros começarem a sentar e saía catando os skates pra começar o treino diário de "ollie em altura" 1, 2, 3, 4, 5 skates encaixados de edge, mas não esses decks palito de picolé de hoje. Eram 5 monstros muito mais largos e pesados, e esse era nosso Game of S-K-A-T-E daquela época.

Pra mim não existia sensação melhor do calar a boca dos incautos desafiando a lei da gravidade com meu sempre existente peso-extra. Gapear uma escada monstra, varar um sofá, um tonel de lixo, uma bmx pelo banco... simplesmente o Ollie sem piruetas e firulas apenas o POP-CHUTA-ENCOLHE era suficiente pra ter o respeito e os locais abrirem espaço na sessão. Meus amigos se divertiam com essas situações me conheciam bem, e sabiam que eu não desistia enquanto não superasse meus limites.

Um videozinho do muska só com Ollies

3 comentários:

  1. POW!!
    demais,mesmo!!! comecei uma década depois (em 92) mas peguei uma geração bem roots mesmo...

    apesar das mudanças imensas, skate é skate ainda hoje e, apesar de tudo é diferente, extraordinário, fora do comum...

    é bom ver que essas sensações que o skate faz o cara sentir sãouniversais (apesar deúnicas) e, como vc escreveu, só que foi infectado...não há descrição possível para op vento na cara e para o POP do primeiro ollie...

    tá linkado com a gente, aquileonardo!!!!
    te achei pelo blog do Sidnei e já li os trÊs tópicos...pure skate feeling!!!!!!!!!... abração!
    www.skatedafronteiraoeste.blogspot.com

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  2. Obrigado Alcir!!!

    Que bom ver que tem bastante gente gostando dos textos. A idéia é essa mesmo skate na veia e na mente!

    já tá linkado tb! valeu!

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  3. Irado, Ollie é oque tem de melhor, útil e mais bonito que podemos fazer no skate, muitos giram o skate varias vezes e em varias direções, mas poucos pulam os bancos da praça, ou varam uma calçada inteira.

    eu tambem me lembro bem, a primeira vez que sai do chão.. bom demais e ainda é!

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