sexta-feira, 13 de março de 2009

Sabadão no Skatepark

Acordar cedo nunca foi meu forte. Deve ser por isso que eu trabalho de madrugada e no final do turno tô com a cara limpa e com aparência descansada. Mas houve uma época que acordar aos sábados às 05:00 da matina era uma rotina deliciosa. Sábado era o dia em que o pai de "Cacau" um antigo amigo skater dedicava a uma única e exclusiva atividade: Levar o filho e o seus amigos mais chegados ao Piatã Skatepark.

05 horas despertador tocando, desce pra cozinha, bate aquele rango, tira a garrafa com suco de laranja congelado e coloca na mochila, checa equipamento, ferramentas, peças sobressalentes, grana, I.D., passe, calça o tênis e corre pra pegar o busão às 06 horas conforme combinado.

A gente chegava no piatã com as pernas meio mole ainda depois de 1 hora e pouco de ônibus mas nem se importava. A gente queria era deslizar nas curvas daquele mar de concreto verde com 2 coqueiros fincados no meio da pista. Até hoje nunca ví nenhuma pista semelhante àquela, nem em desenho nem em originalidade. Os construtores aproveitaram o relevo natural do local em várias partes da pista, mas o supra sumo era dropar o ladeirão entrar no Bowl/banks (que não tinha copping) e voar pra fora daquele buraco que lotava de água quando chovia.


(Fonte: http://www.skatecultura.com)

Cada dia passado lá era especial. Fosse o dia em que vc finalmente acertou aquele nose pick no banks, saltou por cima de 9 pneus de mute grab ou o dia que finalmente tomou coragem e dropou o half-pipe (um dos melhores que já tive o prazer de andar)Na verdade transição nunca foi o meu forte, mas como em todas as atividades que me interesso procuro saber de tudo um pouco adorava esses dias no piatã. Era um experiência diferente em um skatepark que não tinha nada de convencional como os de hoje em dia que privilegiam o street skate de campeonato.

Nada de corrimões, hubbas ou savanas. Somente transições, paredes ligadas às transições para insanos wall-rides e os coqueiros. Até hoje, quem teve a oportunidade de andar lá nos tempos do crownd lembra-se dos berros da galera avisando que ia saltar o coqueiro cujo ponto de aterrissagem era exatamento o mesmo que a saída do salto do banks porém em um angulo perpendicular ao mesmo.

Alí naquele cenário espetacular, à beira da praia (que às vezes servia de local de descanso pra galera) vivemos muitos momentos de alegria, evolução, amizade, compartilhamento, dor, perrengues, sede, fome e o escambau, mas o skate falava mais forte sempre e a curtição era garantida mesmo que estivesse chovendo.

Acabado o Boom do skate no final dos anos 80 a pista foi abandonada. Sem infra estrutura de nada (lanchonete, banheiros, segurança etc.) e apesar de alguns bravos guerreiros continuarem a frequentá-la, acabou fechando e deixando os skaters baianos na saudade.

Até hoje guardo em meu coração as memórias daquela pista. O dia em que conheci Max Demian um recém-chegado de Sampa que foi essencial na evolução do street skate baiano e se tornou um grande amigo. O dia em que ficamos eu e Osvaldo até as 23 horas esperando os pais deles buscarem a gente na pista, sem ninguém lá, sem iluminação, passando frio sede e fome na plataforma do half morrendo de medo de assalto. Das cenas ridículas que Alpa proporcionava pra galera tirando a roupa e ficando de sunguinha preta tomando sol na plataforma do half. De Angelo tentando empurrar as paredes do banks com o ombro. Inocentes tocando no sistema de som, Do primitivo quase voltando seu Mc twist. Do quebra pau que rolou no campeonato baiano de 88 ou 89 (memória falha as vezes), John-John pulando um moleque desatento na saída do banks.

Enfim, são muitas lembranças desta espécie de São Bernardo baiano que com certeza serão postadas aqui com a maior riqueza de detalhes que eu conseguir lembrar. Ainda aguardo o Eduardo Yndio postar no youtube o vídeo do Fico/Pepsi que rolou lá....

O Gian postou no blog dele uma matéria sobre este skatepark
http://www.skatecultura.com/2008/03/vdeo-fico-pepsi-skate-festival-1988.html

No Skatecast do Belote vira e mexe alguém fala do piatã, e principalmente dos coqueiros http://dasantigas.podcastbrasil.com/2008/04/podcast-das-antigas/ Tenho partipação em um episódio se alguém quizer conferir.

Agradeço àqueles que têm frequentado e comentado o blog. Aqui e na comunidade Old School do orkut http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1896523&tid=5303447495701804804&na=2&nst=34 Vocês me dão incentivo e inspiração para dar continuidade a este projeto e continuar compartilhando minhas memórias de vários anos de amor ao carrinho.

Aquele Abraço!

Leonardo Lacerda A.K.A Leo Bola A.K.A. Munhra

9 comentários:

  1. Leo, que excelente texto, acho que ele reflete bem o que o Piatã Skatepark deixou gravado em nossas mentes, gostaria de ter você como participante fixo do Skatecast.

    Parabéns pelo blog.

    Sk8 4 fun, Sk8 4 ever

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  2. Valeu Belote! Recomendo ler os outros textos desde o começo. Assim vc tem uma noção completa de como foi nosso início... Agradeço o convite e no que puder irei colaborar com o Skatecast. Abraço!

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  3. é isso!
    Aqui estamos preparando um local tb antológico! Pra ficar na memória...
    o Sulélonge...mas está de portas abertas...

    por ora, vamos unindo o skate de sul a norte, de nordeste a sul...pela rede...

    e lembrando q OLD IS COOL !!!!!!!!!!

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  4. Ótimo texto!
    Na cidade que cresci tivemos um ótimo half pipe de madeira que fio desmontado após alguns anos de uso. Já deu uma dor no coração... Imagino o quão pior é assistir uma pista de concreto desse porte ser destruída. E assim, parte da história do skate brasileiro fica só na lembrança dos que viveram tais momentos.
    Grande abraço.

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  5. Leonardo, fiquei bastante emocionada com seu texto porque sou filha herdeira dessa história. Magno Matos, o idealizador do projeto é meu pai. Essa pista realmente marcou a história desse esporte na Bahia. Me lembro de todas loucuras que vi, eu a única garota andando por essas pistas, trabalhando no balcão do aluguel dos skates e equipamentos, ajudando na lanchonete, ouvindo os setlists pesados e sujos que faziam a trilha sonora do ambiente...realmente incrível. Estou tentando recuperar algumas fotos, aos poucos vou postando no Facebook, os amigos desse tempo, cada um num canto do mundo agradecem. Compartilhei um pedaço do seu texto no album, coloquei o link do blog tb. Bom, meu pai já desencarnou, mas tenho certeza que contribuiu muito para a felicidade dos jovens rapazes soteropolitanos no final dos anos 80.
    Aquele abraço!
    Gabriela
    ps: vou te seguir por aqui.

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  6. Caraca! Muito bom !! Treinava lá todos os dias, 6 horas por dia!
    Saudade dos amigos Primitivo, Paulinho, Rodolfo, Celmar, Os Bessa, Davi, Pedro Aluan, Pé na Cova, Pepeu (visitante ilustre), Nariga, Udo, e nosso querido Ormagno, fundador do Skate Park, que Deus o tenha...

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  7. Estou escrevendo 4 anos depois da postagem desta materia mas me emocionou muito pois andava de skate nesta epoca e frequentava o piatã muito aos domingos, lembro do Jhon-Jhon,Mauricio bahiano, primitivo e outros! teve uma epoca que a mãe do primitivo passou a vender acarajé lá kkkk muito legal , acho até que vi essa foto ser tirada pois vi a equipe da skatin e da Overall lá. Obrigado.

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  8. Cara, inesquecível aquela pista, assim como: pituba park center, shopping piedade e depois half pipe da pituba e outros...

    obs: ná época ganhei o 3º lugar no street do 1º campeonato do shopping piedade por causa de um boneless. kkkkkk

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